NIRANAÊ, SAGA TUCUJU

NIRANAÊ, SAGA TUCUJU
De Edgar Rodrigues

1.5.09

Glossario de termos utilizados na obra

Anhangá. Termo tupi. Ama errante que toma o aspecto de fantasma ou duende – em geral malfazejo – vagando pelos campos e florestas.

Aracê / Araci / Aracy – Do tupi, se refere ao amanhecer. “Faz-se aracê”.

Araguari / Araguary – Um dos principais rios do Amapá, que serviu de fronteira histórica para delimitação da região do contestado franco-brasileiro. O termo Araguari significa: “Rio onde as araras (ou os papagaios) pousam.”

Balaio. Espécie de cesto grande, geralmente feito de taquara, para acondicionar roupas ou mantimentos.

Batavo. Relativo aos povos germânicos que na antiguidade se fixaram no delta do rio Reno, onde hoje estão os Países Baixos (Holanda, Bélgica e Luxemburgo). No romance, o temo se atribui aos holandeses, na pessoa do almirante Van Der Linch.

Beiju. Espécie de comida feita de mandioca, muito apreciada entre os índios.

Boiúna. Do tupi mboi (cobra) e una (escura). Refere-se especificamente à cobra sucuri (ou sucuriju). O termo se atribui a uma figura mitológica entre os falantes da língua tupi, (também conhecida por Jurupari) temida por sua maldade, e que, adquirindo a forma de cobra grande, faz virar embarcações, levando os náufragos para o fundo do rio. Ver também Jurupari e sucuri.

Borduna. Espécie de porrete de mais de um metro de comprimento, usado como arma em defesa do índio da Amazônia, junto com o arco e a flecha.

Cabo do Norte. Ver Terras do Cabo do Norte.

Cachiri / Caciri / Cassiri / Caxiri. Tipo de bebida à base de mandioca que, mastigada pelas índias com os próprios dentes, e passada pelo processo de fermentação, dá um licor que é consumido em cuias pelos índios, em ocasiões festivas e religiosas. Um exemplo é a Festa do Turé, entre os índios Wajapi.

Caitetu / Caititu. Do tupi kaitiltu. Espécie mamífero da ordem dos artiodáctilos, família dos taiaçuídeos (Tayassu tajacu L), predominante em toda a região da América do Sul. Tem pelagem anelada de branco, amarelo, negro ou castanho-claro, resultando numa coloração rosada; linha de longos pêlos no pescoço, e patas pretas, com faixa característica em forma de colar branco cingindo o pescoço até os ombros.

Capim santo. Também conhecido pelo nome “capim-de-cheiro”. Planta da família das gramíneas (Lynhopogon nardus), nativa da região da Ásia, e muito freqüente na Amazônia. As folhas são utilizadas em chá, com propriedades febrífugas, carminativas e sudoríficas, e flores em panículas, de que se extrai óleo essencial, usado também como repelente de insetos.

Coaraci / Coaracy / Coraci / Coracy / Guaraci / Guaracy. Do tupi, refere-se à divindade que governa o Sol, ou é o próprio Sol. No Brasil, o nome é usado como nome próprio de pessoa do sexo masculino. Um nome muito comum, utilizado de forma abreviada, é Guará.

Costa Palicúria. O primeiro nome que recebeu a costa do Amapá (século XV). A denominação teria sido dada pelo navegador Vicente Pinzón. Por causa da presença dos índios Palicur na região.

Cotovia. Pequeno pássaro da família dos Alaudídeos, encontrado em quase todo o mundo. Tem cerca de 15 cm de comprimento, possui plumagem marrom ou parda e garras posteriores compridas e retas.

Cunha. Do tupi Ku’hã: “mulher”.

Cunhatã. Do tupi kuña’tain: “índia menina”.

Cupuaçu. Planta nativa da Amazônia (Theobrona, família das esterculiáceas). Cultivada em toda a Amazônia. Pertence ao mesmo gênero do cacau, e é utilizado na produção de refrescos, doces, cremes e chocolates.

Curumim. Do tupi kuru’mi. “Menino”, “jovem”.

Curupira. Curu (Abrev. de curumim) e pira (corpo). Vocábulo tupi. Ser mitológico indígena. É o protetor das caças e dos animais indefesos. Vive no corpo de um menino, e em os calcanhares voltados para a frente, e os dedos para trás (o que diferencia da caapora). Para os índios, é a divindade protetora das florestas.

Feliz Lusitânia. Primeiro nome da cidade de Belém (Pará), antes de ser fundada a vila, por Francisco Caldeira Castelo Branco em 12 de janeiro de 1616.

Guariba. Espécie de macaco do gênero Alouata (Mycetes belzebut). Mede, em média, 65 cm. Tem pelo comprido e sedoso, bruno arruivado nas costas, courado nas ilhargas. Possui barba e voz possante., reforçada pela ressonância da cavidade do osso hióide, muito desenvolvido. Até quatro quilômetros podem ser ouvidos os roncos aterradores que solta, ao cair da noite, ao nascer do sol, ou quando há ameaça de chuva, acomodado no alto de alguma árvore gigante. Vive sempre em bandos. Quase nunca desce ao chão, mas é bom nadador quando está atrás de frutos maduros para comer.

Igarapé. Pequeno curso d’água. Vocábulo neo-tupi, composto de yg (água) e yara (senhora, senhor), e pé (caminho). A tradução, ao pé da letra, é “caminho do senhor das águas”, ou “caminho da senhora das águas”. Na Amazônia é a designação dada aos rios pequenos ou riachos somente navegados pelas canoas (igaras, igaratus, igarités, ubás, montarias). Os igarapés têm o aspecto de esteiros ou braços de rios que penetram no interior das terras. Para Raimundo Morais, um estudioso do Pará, igarapés são riachos amazônicos, ribeiros, cursos, em miniatura, que têm todas as características dos grandes.

Inimigos do Norte. Esta expressão é predominante no romance Niranaê. Refere-se aos invasores estrangeiros (franceses, holandeses, espanhóis, ingleses e irlandeses) na costa do Cabo do Norte. O personagem Mário Hernandez, no romance, por exemplo, tem origem espanhola, e no inicio foi confundido com estes invasores.

Iratu. Divindade indígena tucuju correspondente à deusa Ianejá, dos Wajapi.Assume uma função de ministro da divindade Tupã, e é responsável pela ordem das florestas. Cabe a Iratu o destino de cada guerreiro, assim como o cumprimento de seus afazeres. Premiações e castigos são imputados a essa divindade que escolhe, em cada aldeia, uma índia virgem que lhe será consagrada a vida toda. O culto a Iratu perdurou, segundo Nimuendaju, até o século XVI, quando aconteceram os primeiros contatos entre esses índios e os europeus.

Jaci, Jacy, Iaci, Iacy. Do tupi, refere-se à divindade feminina, cujo símbolo é a lua.

Jaguaretê. O mesmo jaguar (Pantera onça), mamífero carnívoro, o maior do continente americano. Pode atingir 1,7m de comprimento e 90 cm de altura. Sua cauda pode chegar a 90m.

Jaguatirica. Do tupi yawati’rika. Mamífero carnívoro, da família Felidae (Panthera pardales), que atinge cerca de95 cm de comprimento por 50 cm de altura. Cor ruivo-amarelada, com manchas redondas orladas de preto.

Jari, Jary. Um dos principais rios do Amapá, servindo de limite com o Pará. Ver do tupi, e significa “Rio da castanha”.

Jurema. No romance, Jurema se refere a uma bebida feia com a casca, raízes ou brotos dessa planta, com propriedades medicamentosas e alucinógenas. Também, no Brasil, é nome feminino.

Jurupari. Do tupi. Entidade que vem, em forma de cobra sucuri, para castigar ou buscar um índio, sob prêmio ou castigo, para uma divindade indígena. No romance, ele recebe ordens de Iratu.

Maçaranduba; Massaranduba. Espécie de madeira nobre da Amazônia, muito freqüente nas matas do Amapá.

Macaréu. Onda de arrebentação que, próximo à foz pouco profunda de certos rios, pior ocasião da maré montante, irrompe de súbito em sentido oposto ao do fluxo das águas do rio e, seguida de ondas menores, sobe rio acima, por vezes com forte ruído e devastação das margens, amortecendo-se à medida que avança.

Mal palustre. Refere-se à malária, infecção auda ou crônica bastante comum no Amapá e em todo o mundo.

Mapinguari. Gigante lendário do folclore amazônico, que usa armadura de casco de tartaruga.

Mucama. Nome que se dava à escrava negra jovem, e de estimação, escolhida entre as mais bonitas, que servia de dama de companhia para as senhoras ou jovens.

Niranaê. Nome forjado, pelo autor, cujo étimo é tupi, e significa “Mãe da Grande Nação”, ou “Virgem de Iratu”. (No caso do romance, é o nome da artista principal, antes virgem consagrada a Iratu, para ser mãe de todos os tucuju).

Oca. Espécie de cabana onde residem os índios. É o mesmo que maloca.

Oiapoque. É um dos municípios do Amapá, e nome do rio separa o Amapá da Guiana Francesa.

Pajé. Do tupi pa’yé, chefe espiritual dos indígenas, misto de sacerdote, profeta e médico. No romance, Itanhaê (também pode ser pronunciado como Itanhaém) é o pajé principal da nação tucuju.

Pássaro branco. Entre os povos falantes da língua tupi, na região setentrional do Brasil principalmente, existe a lenda de que, após a morte, e decorridos mais ou menos 50 dias, um pássaro branco viria buscar o espírito do índio morto, para sua morada definitiva “na selva celestial”. A menção do pássaro branco, no romance, está no episódio da morte de Itaraê, pai de Niranaê, e sogro de Mário Hernandez (final do capítulo 15).

Patacão. Nome dado à moeda do Brasil colonial, vindo de Portugal e Espanha.

Pavulage. Pavulagem. Gabolice, vaidade, ostentação.

Pororoca. Fenômeno que acontece em alguns rios amazônicos, e em especial ao Araguari, no Amapá, onde pode-se fazer um macaréu de alguns metros de altura, com grande efeito destruidor e forte estrondo. Vem do tupi poro’roka, que quer dizer estrondo. Foi descrito pela primeira vez em 1735, pelo aventureiro francês Carles Marie de La Condamine (Viagem pelo Amazonas, 1737 a 1745, S. Paulo, Edusp/Nova Fronteira, 1992).

Potira. Do tupi. “Rosa”, “Flor”.

Suçuarana. Sussuarana. Do tupi susua’rana. Mamífero carnívoro, da família dos felídeos (Felcis concolor L.), comum em toda a América nos tempos coloniais. A pele tem coloração amarelo-avermelhada queimada, mais escura no dorso, amarelo-claro na parte ventral. Os filhotes nascem pintados com manchas escuras no corpo. Medem de 1.20m a 1.40m de corpo e 65 a 70 cm de cauda. Alimenta-se de pequenos mamíferos e também de aves, e até mesmo, de curumins desavisados.

Sucuri. Sucuriju. Vocábulo neo-tupi, que significa “aquela que come muito”. Refere-se a uma serpente, também conhecida por anaconda, que habita os lagos e rios da Amazônia. Chega a medir 60 palmos de comprimento. Para muito é a mesma boiúna, a cobra-grande ou a boiaçu. É o maior ofídeo da região amazônica.

Surubiú. Um dos grupos indígenas que povoou terras da região setentrional do Brasil (entre Monte Alegre e Almeirim).

Taba. Conjunto de ocas indígenas.

Tacape. Arma indígena comprida, parecida com a clava, talhada em madeira forte rija. É o mesmo que borduna.

Tapuiusu. Tapujusu. Grupo indígena falante da língua tupi que, juntamente com os Tucuju e os Marangiá povoou a região setentrional do Brasil.

Taquara. Bambu, ou vara de bambu. Origem tupi.

Terras do Cabo do Norte. Compreendiam, no século XVIII, as terras do Amapá, desde o Oiapoque até o Jarí.

Tipiti. Cesto cilíndrico de palha em que se põe a massa da mandioca para ser espremida. O vocábulo vem do tupi tepi’ti.

Tribo. Do latim tribu. Refere-se a cada uma das partes em que se dividiam algumas nações ou povos antigos. O termo foi utilizado a grupo de índios pela primeira vez, com os jesuítas, no período colonial do Brasil.

Tucuju. Povos que antecederam aos colonizadores. É errado classifica-los como nossos povos primitivos, porque eles, por serem nômades, não foram os primeiro a chegar à região do Amapá. Eles teriam se fixado no Amapá, pelo século XV, e o último representante desta etnia teria sido visto por ocasião de elevação de Macapá à categoria de cidade (1856).

Tucumã. Fruto da palmeira de mesmo nome, composto de um caroço lenhoso de cor quase preta, que contém uma amêndoa de massa branca, oleaginosa, bastante dura, recoberta de uma película de cor parda e aderente.

Tucupi. Espécie de molho com água-de-goma e pimenta, que acompanha vários pratos da cozinha do Norte do Brasil.

Tumucumac / Tumucumaque. Cadeia de serras que fazem parte do maciço Parimã, com prolongamento da Serra de Acarai, localizada na região norte-oriental do Pará e norte-ocidental do Amapá. Serve como limite entre os Estados, mais o Suriname e a Guiana Francesa. A altitude máxima é o Pico Timotaque, considerado o cartão de visita das montanhas, com aproximadamente 850 m acima do nível do mar. Vem do dialeto caribe Tumuc Humac e significa “Pedra vista do alto”. Há quem diga que possa significar “Serpente adormecida”. Se olharmos do alto, a cordilheira dá exatamente uma forma de serpente.

Tupã / Tupana. Designação da divindade tupi, que tem como elemento principal o trovão. A divindade tem também ligação com o ciclo de heróis civilizadores, pois teria ensinado aos índios a agricultura. Posteriormente os jesuítas, pela necessidade da catequese, o identificaram como divindade cristã.

Turé. Do tupi “taboca”. Refere-se também a uma festividade religiosa entre os índios de etnia tupi, denominada Festa do Turé, onde serve-se uma bebida chamada caxiri (V).

Uirapuru. Pássaro da família dos Peprídeos, e de 24 espécies diferentes, sendo a mais famosa a Pipra aureola L, que mede cerca de 12cm. O macho tem plumagem parda, peito e ventre vermelhos, fronte e garganta amarelados; coxas branca. A fêmea tem plumagem verde. É considerada a ave de mais belo canto da Amazônia. Dizem os povos da floresta que, quando o Uirapuru começa a contar, todos os animais silenciam para ouvir seu canto.

Urucu / Urucum. Do tupi uru’ku. “Vermelho”. Refere-se ao fruto do urucuzeiro, de onde se extrai uma substância tintoral que, além de temperar a comida, serve para pinturas no corpo do índio. É dele que se produz o coloral.

Visage / Visagem. Visão. Aparição. Fantasma. “Espiro”, “alma errante”.

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