NIRANAÊ, SAGA TUCUJU

NIRANAÊ, SAGA TUCUJU
De Edgar Rodrigues

1.5.09

Capitulo 11

O assobio dos pequenos animais das matas, e os gritos das enormes guaribas denunciavam ali a presença de um elemento estranho. Amália começou a ficar apavorada, pois seu pai lhe recomendara ficar alerta com a presença de qualquer desconhecido. Mesmo assim, banhava-se tranquilamente na corredeira principal do igarapé. Seu corpo bonito, pele limpa, brilhando ao sol. Seus seios bem formosos... já começavam a mostrar uns mamilos perfeitos, que rosados, pareciam dois polens de papoulas, tal a beleza exótica da filha do galego, de 16 anos bem juvenis.

Amália tomava banho sozinha, mas começou a sentir que estava sendo observada por alguém. Pressentia o perigo, mas continuava, com serenidade, com o sorriso inocente. Podia ser seu irmão Hernan, que sempre a defendeu dos perigos. Mas não podia também. Se fosse ele – pensou – não estaria assim tão silente e quieto. Não! Algo lhe dizia que tinha alguém desconhecido por ali. Continuou seu banho, apesar de tudo.

Um estrangeiro, ao longe, estava à espreita da jovem encantadora. Era agradável o aroma juvenil daquela adolescente para a floresta, mas para ele, em especial, era cheiro de sexo.

-- Quem é você? – perguntou Amália, inocentemente, ao estrangeiro bonito que se aproximava.

-- Você fala espanhol, mocinha? Quem lhe ensinou? – a surpresa do estrangeiro foi tamanha.

-- Sou tucuju. Meu nome é Amália, filha de Mário e Niranaê.

O jovem castelhano ficou vislumbrado com a beleza e a desenvoltura daquela mestiça, e quis saber mais detalhes:

-- Quem te ensinou castelhano?
-- Meu pai é da Galícia, e por isso mesmo, fala castelhano. Minha mãe é tucuju. Falo língua de meu pai porque ele me ensinou e ensinou minha mãe e meu avô.

O jovem ficou mais espantado ainda. A mestiça, acostumada a despir-s na frente de seus irmãos e pais, não via malícia alguma em ficar frente-a-frente com o europeu. Ainda lhe fez até uma observação.

-- Por que você está todo cheio de roupa?

O jovem aproveitou a “deixa”, e fez um pedido estranho e malicioso.

-- Posso tirar minha roupa? Quer que eu a tire?

Com naturalidade, Amália respondeu:

-- Por mim tanto faz. Meus pais e irmãos andam com pouca roupa. Às vezes tomamos banho juntos, sem roupa.

-- Vou tirar toda a roupa. Posso tomar banho com você?

A inocência e naturalidade de Amália, novamente assentiu ao pedigo do rapas.

-- Pode sim. Venha. Vamos tomar banho juntos.

O estrangeiro não pensou duas vezes. Tirou todo seu roupão e começou a entrar na água. A índia tucuju viu algo diferente a inflamar no corpo do estrangeiro. Não conseguiu entender. Na sua inocência chegou mesmo a perguntar o motivo de tanta animação. Por que “aquilo” no meio do corpo do estangeiro estava tão rígido? Por que esse prazer e esse fogo, entre suas pernas? Seu pai e sua mãe nunca lhe haviam falado nisso. Mas o castelhano não estava disposto a dar-lhe explicações e, à medida em que se aproximava, ela sentia a “coisa estranha”. Nunca nenhuma rapaz da aldeia havia olhado para ela assim. Nunca ninguém a tocou desse jeito: primeiro ele pegou sua mão, abraçou seu corpo, roçou “aquilo” nela. Algo, agora, com quentura de fogo e gosto apreciável estava tentando encontrar caminho em seu corpo. Amália não conseguia entender o estranho movimento daquele corpo tão branco, nem por que os lábios do homem desesperadamente “chupavam” esquisitamente os mamilos de seus seios. Queria ir embora de repente, mas sua fragilidade e inexperiência eram demais, diante da musculatura e da força do europeu que,com hábitos estranhos, estava retendo-a, imobilizando-a, penetrando-a, prendendo-a num vai-e-vem gostoso... gostoso de fazer.

Amália não sabia o que dizer, mas começou a mergulhar nesse oceano imenso da loucura. Não sabia o que lhe estava acontecendo, mas era gostoso demais. Como era! Passaram-se rapidamente os minutos; e depois, percebeu a mestiça que o estrangeiro parou, sem forças, aliviado. Ela também sentiu estranho alívio de experiência tão diferente. Tudo ia bem, se ela não notasse um fluxo vermelho de sangue correndo entre suas pernas. Ficou tão desesperada a menina, que começou a perguntar para o estrangeiro:

-- Você me furou? Olhe... você me furou. Você me furou com o que? Com “isso”?

O estrangeiro ficou pasmo, sem responder alguma coisa. Amália insistiu, mas ele continuava em silêncio.

-- Fale, homem! Que você fez em mim? Por que estou sangrando? Fale! Fale antes que eu chame meu pai.

-- Calma, menina... não precisa ficar zangada! Não foi nada. Você não gostou?

-- Não foi nada o quê, seu desgraçado! E o que é esse sangue que está saindo? Me explica, por Iratu! Me explica por que sai sangue de mim!

O estrangeiro acabara de deflorar a mestiça. Explicações não adiantavam. Tratou logo de fugir, para nunca mais voltar.

Amália ficou confusa. Contaria ao pai? Contaria à mãe? Contaria aos dois? Isso adiantaria? E se fosse coisa grave? E as suas colegas de aldeia, que diriam? Sua cabeça começou a desfilar num mundo imenso de confusões. Não convinha se desesperar, pois seu “tio-avô” Itanhaê lhe havia ensinado que tucuju não podia entrar em pânico, em circunstância alguma.

A mestiça ficou pensativa por muito tempo. Enfim, chegou a uma conclusão: nada revelaria a ninguém, afinal de contas estava viva! Mais tarde ela entenderia o porquê daquilo tudo.

Já estava ficando tarde. A mestiça de 16 anos tratou logo de limpar o sangue entre as pernas, e vestir a tanguinha que Niranaê lhe havia feito. Ao chegar, se a mãe lhe perguntasse alguma coisa, diria que era a menstruação que havia chegado. Paciência!

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